terça-feira, 9 de junho de 2009

João e Liniers

João - http://porjoao.blogspot.com/
li uma matéria de um menino, o joão, que faz tirinhas. o garoto é ótimo! tem uma melhor que a outra... e o rapaz tem só 13 anos... confiram o blog: http://porjoao.blogspot.com/
O trabalho do João tem muito do Liniers http://macanudoliniers.blogspot.com/ que é um dos destaques em HQ da Argentina atualmente.

Poesia, música e pensamento

Por questionar somos humanos. Sim, humanos.
Por amar somos também humanos. Mas talvez e principalmente, por fazer escolhas somos humanos. Escolhemos um caminho ou outro, uma fala ou outra, um momento ou outro. E por isso às vezes me pego um tanto quanto preocupada em pensar que algumas pessoas depositam a sua própria felicidade nas mãos de outro.
Isso não é humano, é desumano.
Ninguém é feliz porque "tem" o outro, mas sim porque "compartilha" com o outro momentos bons e ruins, porque ali cabe confiar algo. Isso sim é a felicidade. Saber compartilhar. Jogar para o outro o seu futuro, ou a necessidade de ser feliz é egoísmo.
Muitos relacionamentos hoje estão fadados ao fracasso justamente por não confiarem, por culparem o outro de suas tristezas, por acharem que o outro é sua "metade".
Metade do quê? Somos seres completos, dotados de sabedoria para buscarmos nossas alegrias e convivermos com tristezas e frustrações. Não existe metade, somos inteiros querendo somar.
E chega o dia dos namorados e fica uma ladainha besta nos meios de comunicação, nas propagandas, nas lojas. "Agrade sua alma gêmea". E geralmente é uma mulher, com lingerie se expondo para agradar. Ou um homem, de espécie perfeita, com flores na mão.
Um certo romantismo até que é bom, mas isso é exagero. Não existe ideal.
Dessa forma, acredito que apaixonar-se de verdade não é algo eterno. Sim, gostamos da pessoa, mas na verdade nos apaixonamos por momentos que passamos com ela e não por ela em si. O que gostamos é de estar com a pessoa que escolhemos. Veja bem, que escolhemos.
Os momentos é que são apaixonantes, as falas, as cenas. Do resto o que ocorre é a necessidade de compartilhar. Acasalar.
Não existe metade, existe complemento do que já é.
Diz Oswaldo Montenegro na música Quando a gente ama:
Me apaixonei por um olhar
Por um gesto de ternura
Mesmo sem palavra
Alguma pra falar
deveria ser isso então a mover a espécie humana. Mas acredito que ainda estamos fadados ao fracasso quando a questão principal, a comunicação ainda está ausente. Quando acredita-se que disse algo que não disse. Mas que o olhar deveria dizer.
E assim, as culpas, sentimento humano e não divino, aumentam junto às cobranças de atenção. Atenção a gente dá porque a gente quer dar e não porque o outro pede. Senão vira tarefa.
Relacionamento não é tarefa. é paciência.
Tem outra música do Oswaldo que se chama "Metade" que confirma que metade não é o outro, é a gente mesmo.
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso, mas a outra metade é um vulcão.
e que então esses pensamentos se transformem em vulcão, na ideia que mereço.
em um novo começo. e que os relacionamentos sejam maiores, somem uns aos outros.
pois só assim, nessa liberdade é que se constrói algo.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

considerações perdidas

Bom, enfim que Sidarta está me tirando o sono. rs. Pois é. Já podia ter acabado de ler o livro há algum tempo, mas tem algumas páginas que preciso ler e reler, aos poucos. Degustando. Ou melhor, engolindo a seco as palavras que dizem exatamente aquilo que deveríamos fazer. E agora me pergunto: pra que livros de auto-ajuda, hã? Desnecessário. Mas não quero falar de Sidarta agora. talvez que não seja o momento. Uma vez, ouvi um grande artista (Osvaldo Montenegro - sou fanzoca do cara) que nas apresentações, entre uma música e outra comentava assuntos que lhe vinham a cabeça e de repente dizia: bom, mas não era sobre isso que eu queria falar. E tem tanto assunto aqui. Tanto. Mas não era sobre isso que eu queria falar. Assisti Nostalgia de Tarkovski. Mas também não quero falar sobre isso agora. Mas talvez dizer que não sei como é que não tinha visto esse filme até agora. Como é que sobrevivi sem ver esse espetáculo? Putz. Domenico gritando: se juntem aos loucos. Enfim que todos nós buscamos por nós mesmos. Andrei também. Mas também não era sobre isso que queria falar. Comento esse filme depois que eu ruminar as ideias. Assisti apenas uma vez e não se fala de um filme desse sem ter visto pelo menos três vezes. vamos dar tempo ao tempo. Depois comento disso. Estou lendo Cartas à Mãe do Henfil. Ah, caramba. O que é isso? Se não um prazer inenarrável, também uma sacada genial de um cara que devia ser estampado na camiseta quando fôssemos a qualquer país. Olharíamos pros gringos e falaríamos: olha aqui, é do meu país, saca? Genial. Agora também me peguei a ler os Cemitério dos Mortos Vivos que ele criou. Sem chance de não refletir. E outra, se não podemos, matar e falar, que mordamos as pessoas. Sim, Henfil escrevia esculhambando quem quissesse. Afinal, parece que morder também pode ser considerado um ato de amor. Subversivo, mas quem vai impedir? Henfil mordeu um monte de gente.... Daí li uma entrevista do José Dirceu e me deu uma vontade imensa de dar uma mordida nele. E depois li uma matéria dizendo que o programa No limite vai voltar. E será no Ceará. Quero morder quem participa e produz uma coisa dessas! Por Deus e por El Rei (como diriam meus amigos). Daí me surgiu a ideia também de morder quem (des) cuida da cultura da minha cidade. E como diria Henfil: mordam mesmo. já que não dá pra fazer outra coisa.... Quando eu vi que o programa No Limite iria voltar, na matéria estava assim: "nova edição do programa No Limite" e eu li "maldição do programa No Limite". deve ser o hábito mesmo. Aí vi que estreiou "A fazenda" na Record. Valha-me Senhor! Me diga, hã? Quem se submete a isso? Quem não ganha está na "roça". hahahahha. Que improdutividade nessas terras. Tanta coisa boa e as pessoas aí, discutindo quem está com quem. Tanta ideia e "A Fazenda no ar". "No limite" voltando e o BBB já já abre as inscrições. Estamos na merda. Bom, estou precisando me reciclar mesmo. Assistir todas as peças de teatro que terão por aqui (teatro infantil, de bonecos. divino). Me perder em Sampa. Amanhã exibiremos "Cantando na Chuva" na faculdade. Disse pro pessoal que assim a gente pode ver o que é um musical de verdade e mandar "High School Musical"às favas. E mordam a Globo e a Record. E os livros de auto-ajuda. Acho que era disso que eu queria falar. Eu acho. Ando meio sem certeza das coisas. Mas sei que assistir Tarkovski me deixou melhor. Que Andrei no quarto enquanto chove é uma imagem primorosa.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Sidarta

Resolvi que ia ler Sidarta, de Herman Hesse. Algumas pessoas que leram disseram que realmente não dá pra passar por essa vida sem conhecer esse livro. Me arrisquei. Comecei a ler semana passada, mas não sabia que seria tão profundo assim, tão instigante. Algumas passagens me marcaram muito e acredito que isso traz novas e fortes referências para pensar esse mundo caótico, competitivo e algumas vezes desumano em que vivemos. Em busca de si mesmo, Sidarta encontra algo a mais, algo além. E sai desse vazio mundano em que vivemos, ou melhor, estamos presos. Nos ensina escutar, a pensar. A ter paciência.
"A ânsia de sabedoria é um desejo como qualquer outro. Enquanto busca, será sempre insaciável, como todas. Só quando deixa de ser ávido de saber, quando deixa de buscar é que se encontra a sabedoria..."
Buda: "acautela-se contra o excesso de conhecimento".
Kamala: que é que sabes fazer, Sidarta?
Sidarta: Sei pensar. Sei esperar. Sei jejuar.
Kamasvami leu o que Sidarta escreveu: "Escrever é bom. Pensar é melhor. A inteligência é boa. A paciência é melhor".
Então que a leitura continue. Talvez que leia umas três vezes esse livro.
Pra ver se a alma e o coração acalmam. Tudo que há de ser, é.