sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Fevereiro

- Psiu, acorde! Levante, está na hora!
O mês de fevereiro acaba de acabar. o mês de fevereiro deixou algumas marcas. Em mim, muitas marcas. Na cabeça, no coração e no meu pensamento. Sabe quando você percebe que está ficando velho? Quando você encontra um amigo que estudou com você na infância e ele está careca, barrigudo ou com filho.
outra forma de perceber que vc envelheceu é quando vc olha a cidade que vc nasceu e demora um pouco para reconhecê-la. mesmo tendo morado ali a vida toda.
aquele prédio antigo agora abriga um banco. aquele restaurante que vc ia com os pais agora é uma farmácia. e o cinema? ah, o cinema. virou estacionamento. mas a tela continua lá.
outra maneira é se olhar no espelho e ver os primeiros fios de cabelo branco gritando pra vc que sim, vc está com quase trinta anos. tentar usar aquela blusinha que vc tinha na faculdade e ela te aperta. mal cabe o braço.
mas acredito que para perceber o tempo, que insiste em passar, em se movimentar invisivelmente pelas nossas vivências, a forma mais é legal é ver quantos sonhos a gente conseguiu realizar e quantos ainda estão vivos dentro de nós.
sim. aos 15 anos, ou próximo a isso a gente tenta se dar conta de um monte de coisa. Mas está td tão longe, tão distante. "Quanto eu estiver com 25 anos terei meu carro, minha casa, minha família".tsc tsc. a inocência é algo lindo.
mas bonito mesmo é os sonhos que carregamos dentro da gente. se esquecermos deles, aí sim meu querido, estamos fritos. porque o que dói não é crescer, ver os cabelos brancos, a pancinha, a calvice. o que dói é ver nossos sonhos despedaçados, jogados ao relento envelhecendo com a gente. sem nosso aval para que se tornem real.
fevereiro trouxe para mim muitas memórias. a luz da tarde de hoje estava tão viva me lembrou a luz do outono. o coqueiro balançava lentamente. dançando uma dança singela concedida pelo vento.
e eu fiz tanta coisa em fevereiro, fui para tantos lugares, conheci tantas pessoas...amei tanto.
mergulhei profundamente em são paulo para reencontrar uma partezinha de mim, aquela necessária de quem precisa se reconhecer para entender esse turbilhão que está acontecendo aqui dentro.
e eu só tenho a agradecer. só isso. porque meus sonhos eu ainda estou carregando comigo. e olha, alguns estão se realizando. outros estão no projeto e sei que vão sair do papel, mas aqueles que eu vi, na minha frente acontecer, puxa. não tem o que pague.
"tem coisas que terminam, porque elas começaram de alguma forma. outras simplemente acabam. porque nunca começaram" (IN ON IT)
tempo bom....

sábado, 23 de janeiro de 2010

Nome Próprio

Assisti o filme "Nome Próprio" de Murilo Salles.
Confesso, assisti há duas semanas. Mas só agora consigo escrever sobre o que esse filme representou pra mim.
Camila quer ser escritora. É apaixonada. Pelo mundo, pela leitura, pela vida, pelo sexo e principalmente pela solidão. Pra crescer, pra nascer, e principalmente pra morrer. Tudo se faz sozinho. Camila também. E se joga no mundo.
Camila é de Brasília e vai para São Paulo com o namorado.
Cena 1:
- Foda-se Camila! Some daqui!
- Seu estúpido, seu burro, vc me ama! Traição não é dar para outro cara é jogar fora nossos sonhos, Felipe!
- Foda-se! Some!
Camila está despida e fumando sentada numa poltrona. Numa interpretação visceral da Leandra Leal, de quem sou fã desde qdo ela era uma tímida adolescente em "Confissões de Adolescente". Qdo a vi em "A ostra e o vento" fiquei de cara. Queria ser amiga da Leandra.
Pois bem, houve vários conflitos entre o filme e Clara Averbouk do blog de quem se inspirou o diretor além dos livros "Máquina de Pinball".
Mas não quero entrar nessa questão, pra mim, o principal é ver que existe uma coisa chamada pele, sangue que não somos feitos de ferro.
Qdo a Camila surta pela primeira vez, ela resolver limpar todo o apartamento e depois vai limpando a escada, as janelas e td do prédio. Ela tá mal pra caramba, desfalecendo e chega o zelador.
- Moça, tudo bem?
- Quem é vc?
- O zelador.
e numa brincadeira:
- zelador, zela - dor....
e desmaia. a dor dela era intensa. a vida tb. e quem poderia zelar por isso? zelar aquela dor defunta....que a gente quer matar, mas que insiste em voltar qdo em qdo.
Camila se joga novamente.
O que ficou para mim foi principalmente uma forte dose de mulher, do que é trair, ser traída, amar e ser amada. se entregar de vdd. coisa que raramente eu consigo fazer. e das vezes que fiz, doeu. doeu que nem uma cicatriz que vai ser eterna. vc não sente mais a dor. mas a história dela está lá.
e eu que amei tão pouco e tão poucos, me vem esse filme e me atira pedras por todos os lados, mostrando o qto somos egoístas e mesquinhos. e o pior, não com os outros, conosco mesmo. Pq se encontrar, ter a gente de volta dói mto. dói mesmo. ainda mais depois de uma separação. e a separação às vezes, na maioria das vezes, não é do outro, é de nós mesmos e das expectativas que criamos na nossa própria cabeça. o outro geralmente não tem culpa. mas qdo tem é que dói.
- escuta, seu imbecil, pq vc fez isso? tá pensando que tá lidando com algo que vc usa e joga fora?
qtas vezes eu quis dizer isso. e não disse.
mas a camila disse e forte.
- o que a gente viveu não foi real?
- foi camila, mas acabou.
- como acabou? aqueles três dias no apartamento, juras de amor e depois vc sem me ligar uma semana, sem dar notícia, vc tá pensando o que dessa sua vidinha ridícula?
- camila, me escuta...
- me escuta vc: não quero nada de vc. nada. vai lá com a sua namoradinha, seus amigos, só quero uma coisa de volta, uma única coisinha:
- o quê?
- a confiança que eu tinha em mim. me devolve.
e bate a porta e encontra com ela mesma. de volta. ao espaço interno de solidão, que é onde a gente cresce. onde a gente se vê.
eu tb quero todas as minhas cicatrizes, cabelos brancos que já surgem e minhas rugas. são parte da minha história. da minha vida.
"Nome Próprio" é um filme forte, denso. Solitário. talvez pra assistir sozinho. ou pra ver com alguém que vc sabe que o silêncio não vai incomodar. pq a gente fica em silêncio, ouvindo lentamente cada espaço vazio do apartamento. cada palavra digitada no blog que vem em silêncio na tela, cada sonho. cada cigarro fumado.
como dizia leminski: amar é um elo entre o azul e o amarelo. e nesse caso, as cores nos permitem amar mais ainda. quem a gente é. e o que o outro nos fez para crescermos. sem toda a minha história eu não seria quem eu sou hoje.
Um dos filmes mais reflexivos que eu já vi. E olha, não me digam: ah, tá. mas é uma historinha de uma menina que quer se apaixonar, dá pra um monte de cara e blá blá blá. não.
"Nome Próprio" supera tudo isso. é mais. é a história de alguém em busca de si mesmo, de ter onde vazar tanto pensamento, tanta ideia e tanta paixão. Existem mtas Camilas pelo mundo. Muitas. Ou um pedacinho dela em cada uma de nós....

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Paródias

Puxa, achei um site mto bacana! traz as várias paródias clássicas feitas pelo mestre Roberto Gomes Bolaños, o eterno Chaves/Chapolin! http://chbr.manchete.net/mundo/clubedochaves/parodias.htm
os clássicos nunca morrem! me lembro de esses tempos mesmo procurar qual DVD do Chaves haveria isso...que legal!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Fellini em tela grande

ontem assisti "la dolce vita" (1960) no clube de cinema. estou encantanda. pra começar, fellini não deixa por menos e faz um filme longo, cheio de histórias que dariam novos filmes. marcelo mastroianni lindo e não menos bom ator. (pq vcs sabem né? tem diferença tb...)
a veia jornalística de celebridade, a inocência apaixonante de Sylvia, o vazio de Marcello, as loucuras por amor, o encontro com o pai, que depois fica doente. enfim, dariam novos filmes dentro desse clássico.
claro que "cidade das mulheres" (1980) tem mto de "la dolce vita", claro. só agora me dei conta. "cidade das mulheres" eu assisti em araraquara, no clube de cinema do sesc de lá. divino tb.
mas o olhar vazio de marcello, a busca por algo a mais, se jogando na vida, as insanidades doidas das crianças que viam "madonna", o ciúme, o amor, a tragédia.
Fellini é genial. não dá pra classificar em menos do que espetacular.
durante o filme fiquei atenta tb aos comentários que se faziam na sala. (quem me conhece sabe que eu adoro ouvir conversa alheia...rs). e todos gostaram. até certa parte. deram risada, acharam interessante. mas o tempo é outro. e as pessoas não têm mais paciência pra ver um filme como esse e a sala esvazio antes das duas horas e cinquenta de filme.
pra assistir fellini tem que se dispor. tem que estar com vontade e saber o que vai enfrentar. não adianta estourar pipoca nem levar refri. fellini a gente não engole tão fácil.
divino.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Logan

Pois bem, pessoal. Eis que vem a vida e nos toma de assalto. Desde agosto do ano passado, eu entrei num programinha diferente de internet, um tal de twitter. puxa, que dificuldade para me acostumar no começo, que diferente. E para que serve isso?
O Serginho me disse:
- Lídia, vai ser bacana pra divulgar seu trabalho e conhecer novas pessoas. Vamos fazer seu twitter.
E lá fomos nós. O Serginho, meu pareceiro, sempre me dando força.
Fiz o twitter e pronto. E blá blá blá.
Pessoas novas, twittadas e etc. Pô, uma bela ferramenta, eu pensei.
E então, não sei como, talvez pelo Quarto Mundo ou pelo meu contato com os quadrinhos, apareceu um cara, o Flávio Soarez, no meu twitter. Na vdd eu não sei se eu o adicionei ou se ele me adicionou. O lance foi que eu fui vendo as tirinhas dele "A Vida com Logan" e fui gostando bastante.
- Puxa, mas que material bacana! Tem tanto de Calvin & Haroldo nas tirinhas, é tão rico de elementos, tão interessante...
E fui conhecendo mais e retuwittando (é assim que escreve?) as tirinhas.
Pois bem. até que um dia resolvi ler o blog inteiro do flávio. e qual não foi a minha surpresa? O Logan é real. E mais, portador da Síndrome de Down.
O blog: http://www.avidacomlogan.com.br/ é lindo e cheio de informações sobre saúde, cultura e rico em tirinhas. A vida de um pai com um filho.
Brilho. Ideia.
- Pauta: Editor, o que vc acha de fazermos uma matéria com um cara de sampa que blá blá blá.
- Puxa vida, que interessante. Faz sim! (primeira vez que ouvi isso dele...)
Brilho.
Escrevi no twitter que queria falar com o Flávio, em 140 caracteres. Ele mandou uma msg com os emails dele. Escrevi. com vários caracteres. Ele me respondeu. com mais e mais caracteres. Liguei pra ele ontem.
- Flávio, é a Lídia, do jornal da manhã.
- Oi, Lídia!
Eu não sei, mas acho que o que um amigo meu, o Danilo, me falou um dia é vdd: qdo a gente fala com alguém no telefone, mesmo que não estamos vendo a pessoa, dá pra saber se ela está sorrindo ou não.
Eu sorria de um lado e o Flávio de outro. Tenho certeza disso.
E a conversa rendeu trilhões de caracteres. Ficamos no telefone no mínimo uma hora. E enquanto falávamos, eu ouvia o Logan cantando, brincando e rindo.
Interessante vc ouvir um personagem que vc gosta....
E a conversa engrenou. O Flávio e eu conversamos mto. e de repente:
- Oi.
- Logan?
silêncio.
- Papá.
era a hora da janta do loirinho. me emocionei. eu falei com ele...
Essa matéria vai ficar mais do que boa....
Por favor, leiam o "sobre" no blog do Flávio. Vocês vão entender do que eu estou falando...http://www.avidacomlogan.com.br/index.php/sobre/