sexta-feira, 17 de julho de 2009

Campanha "Senado Faça o seu Bigode"

Bem, ontem conversávamos, Laura, Marina, eu e grande Conrado sobre amenidades e coisas da vida. Conrado está barbado agora. Deixou o cabelo crescer. Um rebelde. Então que chegamos à conclusão de que o Conrado deveria cortar o cabelo e aparar a barba, deixando apenas o bigode. Nada mal para ele. Daí ele me contou da campanha: "Só farei o meu bigode quando o Senado fizer o dele". Depois de boas gargalhadas, presto aqui minha homenagem e solidariedade à campanha. Acredito que grandes nomes da música, cinema e desenho também fariam seu bigode se o Senado brasileiro fizesse o dele.

George

You're asking me will my love grow
I don't know, I don't know
You stick around now it may show
I don't know, I don't know
yeah yeah

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Encontros e acasos

Hoje fui fazer uma matéria sobre um projeto de exibição de filmes para a terceira idade. Foi extremamente interessante conversar com tantas pessoas que têm tanta experiência. O clássico da sessão: Sissi, parte 1. Filme dos anos 50 que adoro também. Havia uma maioria de adultos, senhores, mas também crianças em busca de algo novo. Entre outras falas: "ah, antigamente os filmes eram mais românticos, tinham menos recursos, mas os atores se esforçavam mais", "é muito bom vir aqui, a gente relembra nossos tempos", disse uma das senhoras que tinha um dos sorrisos mais fáceis que já vi. e a reclamação: "como é que pode o cinema ser aqui em cima? eu não consigo mais subir escadas", disse uma aposentada. e é uma verdade. lugar acessível seria extremamente importante. mas eles me ensinaram que quando a gente quer mesmo, não há obstáculos. uma das senhoras saiu sem almoçar para dar tempo de chegar à sessão que começava às 14 horas. "Ah, vale à pena né?", disse sorrindo, relembrando os velhos tempos. Enfim, uma tarde maravilhosa. Só por essa já teria sido bom. mas teve mais. Saímos do cinema, o alexandre (que é um dos maiores fotográfos que eu tive o prazer de conhecer, um grande e admirável amigo) e eu e fomos conversando até o carro do jornal. entre uma conversa e outra, havíamos falado que as coisas não acontecem por acaso: - alê, já percebeu que quando estamos com pressa de carro, sempre tem um senhor que mal exenga no carro da frente, dirigindo a dois por hora? rs - ah, sim. mas sabe que isso eu nem me importo mais? nada é por acaso, figurinha. e fomos em direção ao jornal. ao passarmos na Avenida, avistamos um senhor numa bicicleta. na magrela escrito "missionário da paz". na verdade, iríamos por uma rua para o jornal, mas por acaso fomos por outra e nos deparamos com esse ser humano. - e aí, alê? o que é isso? vamos atrás fazer uma matéria? - você que sabe, figurinha. fechamos ele ali na frente e conversamos então. e foi assim. descemos do carro. - oi, somos do jornal. eu sou a Lídia, esse é o Alexandre. - Prazer. - Escuta, quem é o senhor? de onde vem e para onde vai? foi aí que recebi a lição do dia. José Ferreira da Silva, 56 anos, há 12 na bicicleta viajando por toda a América (do norte, central e sul) para pagar a promessa que fez: "se meu pai voltasse a andar, eu prometi que ia andar por todo o mundo". E não é o que o baiano criado em fortaleza está conseguindo? - sabe, o que eu mais tenho é fé. andei pelo mundo todo e ainda vou para a Europa. isso não é pouca coisa. aprendi muito e com essa minha bicicleta (toda equipada com bandeira, cabana e etc) eu conheci histórias e vida. sei falar três linguas e meu maior sonho é poder abraçar o meu pai daqui a 5 anos, quando eu terminar essa viagem e chegar em Fortaleza. - se sente um herói, Sr. José? - não sei se sou para os outros, mas para o meu pai eu sou. e é isso que importa. Fé e vontade. Loucura? talvez um pouco. mas tenho certeza que ele já viu mais por e nascer do Sol do que qualquer um de nós. E pelo brilho dos olhos, também estava muito feliz. Que muitos de nós. acredito que mais do que exterior, ao mundo, a viagem do Sr. José é interna, consigo mesmo e com sua fé. já fazia mais de uma semana que estava em Marília. e as lições veem assim. quando a gente menos espera e quando abaixamos o vidro do carro. e nos abrimos para o mundo. dos outros e nosso mesmo.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

The Beatles

There's nothing you can do that can't be done
Nothing you can sing that can't be sung
Nothing you can say, but you can learn how the play the game
It's easy

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Dos bombons de banana e bicicleta

Éramos em mais ou menos cinco pessoas em casa. Eu, a maiorzinha, tinha sete anos. O resto vinha em escadinha. Morávamos numa casa pequena, apenas dois quartos, um banheiro, sala e cozinha. Era tudo muito simples, mas nunca nos faltou nada. Quanto eu tinha essa idade, um dia disse para minha mãe que queria chamar os amiguinhos e fazer um amigo secreto. Nessa época, papai já trabalhava muito, mas o salário não era alto. Tínhamos pouca coisa, nada de luxo. Mas sempre tinha história pra contar na rede e gibi no sebo aos domingo. Era muito bom. Então que decidi, com 7 anos fazer o amigo secreto. Mamãe pegou a bicicleta, que era o que tínhamos na época para transporte de todos em casa, e foi comprar algumas coisas no mercado. E a festinha começou. Mamãe chegou com duas sacolas penduradas no guidão da bicicleta, uma com suco em pó e outra com milho de pipoca. Era só isso que dava pra festinha. E então que os amiguinhos começaram a chegar. Meus irmãos eram quase bebês e ficavam pra lá e pra cá sem saber o que estava acontecendo. Ganhei uma caixa de bombons. A gente quase nunca tinha caixa de bombons em casa. não era justo eu, com sete anos, dois irmãos, sem carro e vendo o esforço dos meus pais, comer a caixa de bombons sozinha. mas era o que eu queria fazer. era simplesmente tudo ver uma caixa de bombons inteirinha, pra mim. Mas no jantar abri a caixa. Na mesa. O correto seria dividir com todos. Mamãe pegou um. Não me lembro qual. Meus irmãos nem sabiam o que era aquilo direito. Mas o meu pai disse que não gostava de bombom. Não acreditei naquilo. Como alguém pode não gostar de bombom? insisti. ele pegou um de banana. o mais ruinzinho da caixa. E disse que adorava aquele, que o de banana e o de ameixa eram os melhores. Nunca entendi isso. para mim, eram os piores. até que um dia, depois de muitos anos o vi comendo um bombom sonho de valsa, se deliciando com o doce. Mas, como assim? não eram os de banana os preferidos? sim, na época eram. daí sobrariam os de sonho de valsa pra mim. se alguma coisa ficou disso é que mais do que presentes de amigos secretos, o que valeu foi ter o presente de haver convivido com o verdadeiro valor real das coisas: o amor, a generosidade. talvez seja isso que faça com que seres humanos se deparem que mais do que ganhar milhões e ter um corpo perfeito o mais importante mesmo é ser ser humano. ser verdadeiro. e desse dia em diante soube que os bombons podem ter o sabor que for, mas o mais gostoso vai ser o sabor dos olhos do outro, de quem está devorando não apenas um bombom, mas um amor incondicional.